Aliás, com isso chegamos ao segundo motivo pelo qual uma crônica do Mola seria uma crônica sobre educação. Porque as crianças, quando concluem os anos iniciais do Ensino Fundamental, precisar estudar na comunidade vizinha ou na cidade. E se desejam continuar, cursando o ensino médio, são obrigadas a fazê-lo na cidade. Na Comunidade existe apenas uma escola, classificada como isolada pelos orgãos responsáveis, que funciona em um sistema multisseriado. Crianças de 4 a 11 anos estudam juntas, em uma mesma sala, com um só professor. Um professor que, muitas vezes, concluiu apenas o magistério. Mas, ainda assim a escola é vista como peça chave e a alfabetização é quase um marco na vida da criança. Segundo a professora Celeste, que estuda as comunidades da região, a escolarização formal é vista com uma forma de alcançar o nível do escravizador, adquirir a cultura do dominador e poder estar diante dele de igual pra igual. Faz sentido. Talvez por isso a grande maioria dos que concluem o Ensino Fundamental, de fato vão cursar o Médio na cidade. E por isso a crônica do Mola fala de educação: Porque os velhos morrem, os jovens vão para a cidade em busca de educação e o Mola vai diminuindo. A Dona Durvalina, que viu a comunidade florescida, lembra de mais de 50 famílias, a região toda repleta de casas. Mas o Mola minguou, hoje restam apenas 7 famílias.
Ou seja, a educação, no Mola, é motor do florescimento cultural e pontapé para o possível desaparecimento da comunidade. A educação é quase o começo e o fim, o A e o Z. Por isso uma crônica sobre o Mola só poderia ser uma crônica sobre educação. Isso se eu fosse escrevê-la.
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